# Covid longa, cansaço e falta de motivação: a pista está na dopamina?

> Estudo do CAMH com PET encontrou redução de 16% a 20% em um marcador de terminais de dopamina em pessoas com covid longa, ligada a fadiga, falta de motivação, lentidão e problemas de memória.

- Categoria: Saúde Mental
- Publicado: 2026-10-01
- Atualizado: 2026-10-09
- Autor: Fabio Alves de Araújo
- URL: https://neurociencia.site/artigo/covid-longa-dopamina-fadiga

## Em resumo

- Um estudo do CAMH (Toronto) publicado na eBioMedicine comparou 24 pessoas com covid longa a 24 pessoas saudáveis usando exames de PET.
- Quem tinha covid longa apresentou marcadores de terminais de dopamina 16% a 20% menores no estriado.
- Cada região alterada se associou a um sintoma: perda de motivação, lentidão motora ou dificuldade de memória.
- A amostra é pequena; a redução pode não ser permanente e não se deve usar medicamentos dopaminérgicos sem prescrição.

Pessoas com covid longa apresentaram, em média, **16% a 20% menos** de um marcador de terminais nervosos de dopamina no cérebro, e cada região afetada se associou a um sintoma: perda de motivação, lentidão motora ou dificuldade de memória. O estudo é do Centre for Addiction and Mental Health (CAMH), de Toronto, e foi publicado na revista *eBioMedicine* em julho de 2026.

## O que é a dopamina?

A dopamina costuma ser chamada de “hormônio do prazer”, mas a definição é incompleta. Ela está muito mais ligada à **motivação** (o impulso de buscar algo), ao **controle dos movimentos** e a aspectos da **aprendizagem e da memória**. Grande parte das conexões de dopamina chega ao **estriado**, um conjunto de estruturas profundas do cérebro.

## O que o estudo encontrou no cérebro de pessoas com covid longa?

Os pesquisadores usaram exames de **PET** com um marcador radioativo que se liga ao VMAT2, uma proteína que indica a densidade de terminais nervosos de dopamina. Participaram 24 adultos com covid longa e sintomas neuropsiquiátricos persistentes e 24 pessoas saudáveis da mesma idade; o grupo de comparação foi ampliado para 43 em análises exploratórias. O estudo foi conduzido entre agosto de 2022 e abril de 2025.

Ficha do estudo**Revista**eBioMedicine (10 jul. 2026)**Instituição**Centre for Addiction and Mental Health (CAMH), Toronto**Participantes**24 pessoas com covid longa e 24 controles**Tipo de estudo**Caso-controle com PET**Artigo original**[eBioMedicine (The Lancet)](https://www.thelancet.com/journals/ebiom/article/PIIS2352-3964(26)00222-7/fulltext)

- Pessoas com covid longa tinham valores **16% a 20% menores** em três regiões do estriado.
- Menos sinal no **estriado ventral** se associou à **perda de motivação**.
- Menos sinal no **putâmen**, à **lentidão motora**.
- Alterações no **caudado e putâmen**, a **dificuldades de memória**.

## Quais são as limitações do estudo?

- A amostra é pequena e o desenho (caso-controle) não prova causa.
- Sinal reduzido **não significa necessariamente perda permanente** de neurônios; pode refletir uma mudança de funcionamento que precisa ser acompanhada ao longo do tempo.
- O pesquisador principal declarou um pedido de patente relacionado a um tratamento, o que é um potencial conflito de interesse.
- A equipe planeja um ensaio clínico e **desaconselha** usar medicamentos que agem na dopamina por conta própria.

## O que isso significa para quem tem covid longa?

O achado ajuda a validar sintomas que muitas vezes são minimizados por familiares, colegas e até profissionais. Enquanto os tratamentos são estudados, a recomendação é buscar acompanhamento médico, retomar atividades de forma gradual e respeitar os limites do corpo.

## Quais sinais merecem atenção?

A covid longa pode se manifestar de formas diferentes. Muitas pessoas relatam cansaço que não melhora com o descanso, piora dos sintomas depois de esforço físico ou mental, dificuldade de concentração (a chamada névoa mental), esquecimentos, desânimo e alterações de sono. Os sintomas podem durar semanas ou meses depois da infecção.

Alguns cuidados ajudam a conversar com o profissional de saúde:

- anote quando os sintomas começaram e o que os piora ou melhora;
- registre o nível de energia ao longo do dia, para identificar os melhores horários;
- conte se houve mudança de humor, de memória ou de motivação, e não só de cansaço físico;
- evite comparar o próprio ritmo com o de antes da infecção: a recuperação costuma ser gradual.

Esse registro ajuda a ajustar o tratamento e a planejar a volta às atividades com mais segurança.

### Na volta ao trabalho ou aos estudos

Fadiga e falta de motivação depois de uma infecção podem ter base biológica. Não são “falta de vontade”. Na volta ao trabalho ou aos estudos, ajudam: metas e cargas ajustadas por um período, flexibilidade de horários, pausas e conversas abertas sobre o que a pessoa consegue entregar. Cobrar desempenho igual ao de antes, de imediato, tende a piorar o quadro e afastar talentos.

Este conteúdo é educativo e não substitui avaliação médica. Se você tem sintomas persistentes após uma infecção, procure um profissional de saúde.

Saiba mais sobre [como o cérebro se organiza desde a origem](https://neurociencia.site/artigo/cerebro-humano-pode-ser-dois-orgaos).

## Neurociência na prática

- Fadiga e desmotivação após a covid podem ter base biológica, e não falta de força de vontade.
- Não use medicamentos que atuam na dopamina sem prescrição e acompanhamento.
- Retome atividades de forma gradual, respeitando o ritmo do corpo, com orientação profissional.

## Perguntas frequentes

### A covid longa afeta a dopamina?

Um estudo com PET encontrou redução de 16% a 20% em um marcador de terminais de dopamina em pessoas com covid longa. É uma evidência importante, mas ainda preliminar, por envolver apenas 24 pacientes.

### Por que a covid longa causa cansaço e falta de motivação?

As causas ainda são estudadas. Uma das hipóteses, reforçada por esse estudo, é o envolvimento do sistema de dopamina, ligado à motivação, aos movimentos e à memória.

### Existe tratamento para a fadiga da covid longa?

Ainda não há tratamento específico comprovado. A equipe do estudo planeja um ensaio clínico. O recomendado é buscar acompanhamento médico e retomar atividades de forma gradual.

## Fontes

- [CAMH: Dopamine nerve terminals in long COVID, PET study (eBioMedicine, 2026)](https://www.thelancet.com/journals/ebiom/article/PIIS2352-3964(26)00222-7/fulltext)
- [CIDRAP: New study offers clues about long COVID's brain symptoms](https://www.cidrap.umn.edu/covid-19/new-study-offers-clues-about-long-covid-s-brain-symptoms)
- [Pharmacy Times: Brain imaging study links long COVID to dopamine neuron injury](https://www.pharmacytimes.com/view/brain-imaging-study-links-long-covid-to-dopamine-neuron-injury-pointing-to-repurposed-treatments)
