# Mais de 8 horas de atividade física por semana ligadas a Parkinson mais lento, diz estudo de 7 anos

> Um estudo americano acompanhou 294 pessoas com Parkinson por até sete anos e encontrou uma ligação entre mais horas de atividade física e uma piora mais lenta da memória e dos movimentos. O tempo de atividade pesou mais do que a intensidade, e caminhar e cuidar da casa também contaram.

- Categoria: Longevidade
- Publicado: 2026-10-26
- Atualizado: 2026-10-26
- Autor: Fabio Alves de Araújo
- URL: https://neurociencia.site/artigo/atividade-fisica-parkinson

## Em resumo

- Estudo acompanhou 294 pessoas com Parkinson leve a moderado, com idade média de 66 anos, por até sete anos.
- Quem fazia mais de 8 horas de atividade física por semana teve queda anual de 0,007 ponto no teste de cognição, contra 0,478 ponto entre os menos ativos.
- Os mais ativos também tiveram evolução mais lenta dos sintomas motores, e o tempo total de atividade pesou mais do que a intensidade.
- É um estudo observacional, com atividade relatada pelos participantes, e não prova que o exercício desacelera a doença.

Mais de 8 horas de atividade física por semana. Foi esse o grupo que mostrou o declínio mais lento da memória e do raciocínio em pessoas com Parkinson, num estudo que acompanhou **294 pacientes por até sete anos**. No teste de cognição, a perda anual estimada foi de apenas **0,007 ponto** entre os mais ativos, contra **0,478 ponto** entre os menos ativos.

Os mais ativos também tiveram uma evolução mais lenta dos sintomas de movimento, como lentidão, rigidez e tremor. Por isso, os autores falam em um possível benefício duplo: para o corpo e para a mente.

O trabalho foi publicado on-line em 7 de outubro de 2026 na revista *Neurology*, da Academia Americana de Neurologia, por pesquisadores da Universidade de Cincinnati, nos Estados Unidos. A conclusão é cuidadosa: o estudo mostra uma associação, e não prova que o exercício freia a doença. Mesmo assim, ele reforça algo que neurologistas já recomendam no dia a dia.

O Parkinson é uma doença neurológica que avança com o tempo. Segundo a Organização Mundial da Saúde, mais de 8,5 milhões de pessoas viviam com a doença no mundo em 2019, e a prevalência praticamente dobrou em 25 anos. Os remédios aliviam os sintomas, mas ainda não existe tratamento capaz de interromper a progressão. Por isso, hábitos que possam ajudar a manter a autonomia por mais tempo interessam a pacientes, famílias e médicos.

## Como foi feito o estudo?

Trata-se de um **estudo observacional**, do tipo coorte. Os pesquisadores não sortearam quem faria exercício. Eles apenas acompanharam pessoas com Parkinson e compararam a evolução de quem se movimentava mais com a de quem se movimentava menos.

Os participantes faziam parte de um programa de pesquisa da Universidade de Cincinnati e foram incluídos entre janeiro de 2019 e fevereiro de 2025. Eram 294 pessoas com Parkinson leve a moderado, com idade média de 66 anos. Cerca de um terço eram mulheres.

A atividade física foi medida por entrevistas padronizadas. Cada pessoa estimava quantas horas por semana passava em atividades no trabalho, em casa e no lazer. Entravam na conta tanto atividades moderadas, como caminhada rápida, natação leve, tênis em dupla, passar aspirador ou cortar grama, quanto atividades vigorosas, como corrida, pedalar rápido, esportes coletivos e carregar peso.

Com base nisso, os participantes foram divididos em três grupos:

- **Menos ativos:** até 4 horas por semana;
- **Intermediários:** de 4 a 8 horas por semana;
- **Mais ativos:** mais de 8 horas por semana.

Uma vez por ano, todos faziam dois exames. O primeiro avaliava a cognição com um teste de 0 a 30 pontos, em que nota maior é melhor. O segundo media os sintomas motores com uma escala de 0 a 132 pontos, em que nota maior significa sintomas piores. No início, a média nessa escala era de 23 pontos. A memória e o raciocínio foram acompanhados por até cinco anos, e os sintomas motores, por até sete. As análises foram ajustadas para idade, sexo e tempo de doença, entre outros fatores.

## O que os pesquisadores encontraram

Quanto mais tempo de atividade física, mais lenta foi a piora, tanto na cognição quanto nos movimentos. Veja as mudanças anuais estimadas em cada grupo:

GrupoCognição (teste de 0 a 30)Sintomas motores (escala de 0 a 132)

Até 4 horas por semanaqueda de 0,478 ponto por anopiora de 0,143 ponto por ano
De 4 a 8 horas por semanaqueda de 0,090 ponto por anoredução de 0,225 ponto por ano
Mais de 8 horas por semanaqueda de 0,007 ponto por anoredução de 0,783 ponto por ano

Os números parecem pequenos, mas fazem diferença com o tempo. Se o ritmo do grupo menos ativo se mantivesse por cinco anos, a perda chegaria a cerca de 2,4 pontos no teste de cognição. No grupo mais ativo, a nota praticamente não mudaria. Nos sintomas motores, a escala até recuou um pouco nos grupos mais ativos, enquanto subiu no grupo menos ativo.

Na comparação direta entre o grupo mais ativo e o menos ativo, a diferença na cognição foi bem clara do ponto de vista estatístico. Já a diferença nos sintomas motores ficou no limite da significância, o que pede mais cautela na leitura desse resultado.

Dois detalhes chamaram a atenção dos autores:

- **O que conta é o presente:** a atividade física recente continuou ligada a uma evolução melhor mesmo depois de considerar quanto a pessoa se exercitava nos dez anos anteriores. Isso sugere que começar a se mexer mais agora pode valer a pena.
- **Tempo pesa mais que intensidade:** quando os pesquisadores levaram em conta o total de horas ativas, a atividade vigorosa deixou de mostrar vantagem extra. Movimentar-se por mais tempo parece mais importante do que fazer exercícios pesados.

Segundo o autor principal, o médico Dong-Woo Ryu, as diferenças entre os grupos podem ficar mais relevantes ao longo dos anos, e o benefício pode depender de a pessoa continuar ativa.

## O que acontece no cérebro

No Parkinson, ocorre a perda progressiva de neurônios que produzem dopamina, um mensageiro químico essencial para controlar os movimentos. Com o tempo, a doença também atinge outras áreas do cérebro, o que ajuda a explicar problemas de memória, atenção e planejamento.

Este estudo não mediu o que acontece dentro do cérebro dos participantes. Mas pesquisas anteriores, em animais e em pessoas, ajudam a entender por que o movimento pode fazer diferença:

- O exercício aumenta o fluxo de sangue no cérebro, levando mais oxigênio e nutrientes aos neurônios.
- Ele estimula a produção de fatores de crescimento, como o BDNF, que ajudam os neurônios a sobreviver e a formar novas conexões.
- Estudos de imagem sugerem que pessoas com Parkinson que se exercitam com regularidade usam a dopamina disponível de forma mais eficiente.
- A atividade física também reduz a inflamação no corpo e melhora o sono e o humor, fatores que influenciam a saúde do cérebro.

Uma ideia importante é a da neuroplasticidade: a capacidade do cérebro de se adaptar e reorganizar seus circuitos. Treinar movimento, equilíbrio e coordenação pode ajudar o cérebro a compensar parte das perdas causadas pela doença.

## Os limites do estudo

Os próprios autores apontam limitações que precisam ser levadas em conta:

- **É um estudo observacional.** Ele mostra associação, não causa e efeito. Pode ser que pessoas com uma forma mais branda da doença consigam se exercitar mais, e não o contrário.
- **A atividade física foi relatada pelos próprios participantes.** Muita gente superestima ou subestima o quanto se movimenta.
- **Possível viés de seleção.** Os participantes, em geral, tinham boa memória e bom raciocínio no início, o que limita a aplicação dos resultados a pessoas em fases mais avançadas.
- **As diferenças anuais são pequenas** e o resultado nos sintomas motores ficou no limite da significância estatística.

Para confirmar que o exercício realmente desacelera o Parkinson, são necessários ensaios clínicos, em que os participantes são sorteados para diferentes rotinas de atividade. Alguns desses estudos já estão em andamento.

## Como trazer mais movimento para o dia a dia com Parkinson

A boa notícia do estudo é que as horas contadas incluíam atividades comuns, como caminhar, cuidar da casa e do jardim. Não é preciso virar atleta. Algumas ideias práticas:

- **Some pequenos blocos:** três caminhadas de 20 minutos por dia já passam de 7 horas por semana.
- **Combine tipos de exercício:** atividades aeróbicas, como caminhada e bicicleta ergométrica, exercícios de força e treinos de equilíbrio. Dança e tai chi também são boas opções.
- **Valorize as tarefas da casa:** varrer, passar aspirador e cuidar de plantas também contam como movimento.
- **Busque orientação:** um fisioterapeuta ou educador físico pode montar um plano seguro, principalmente se houver risco de quedas.

Para a população adulta em geral, a Organização Mundial da Saúde recomenda de 150 a 300 minutos de atividade física moderada por semana. A constância parece ser o ponto central: o benefício observado esteve ligado a manter a atividade, e não a um esforço passageiro.

Se você quer saber mais sobre o assunto, já mostramos aqui como [exercício e controle da glicose na meia-idade estão ligados à proteção da memória](https://neurociencia.site/artigo/exercicio-glicose-meia-idade-cerebro) e como [mudanças no estilo de vida melhoraram a cognição em um estudo na América Latina](https://neurociencia.site/artigo/estilo-de-vida-melhora-cognicao-latam-fingers).

*Este artigo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um médico. Pessoas com Parkinson devem conversar com o neurologista antes de mudar a rotina de exercícios e nunca devem alterar a medicação por conta própria.*

## Neurociência na prática

- Divida a atividade em blocos curtos: três caminhadas de 20 minutos por dia somam mais de 7 horas por semana.
- Misture caminhada ou bicicleta com exercícios de força e de equilíbrio, como dança e tai chi.
- Conte as tarefas da casa: varrer, passar aspirador e cuidar do jardim também são movimento.
- Peça ao neurologista ou a um fisioterapeuta um plano seguro, principalmente se houver risco de quedas.

## Perguntas frequentes

### Exercício ajuda quem tem Parkinson?

Um estudo com 294 pessoas com Parkinson encontrou que quem fazia mais de 8 horas de atividade física por semana teve declínio mais lento da memória e dos sintomas motores. O estudo é observacional e não prova causa e efeito. Mesmo assim, a atividade física já faz parte das recomendações para quem vive com a doença.

### Qual o melhor exercício para Parkinson?

Não existe um único exercício ideal. Neste estudo, o tempo total de atividade pesou mais do que a intensidade, e atividades como caminhada rápida e tarefas domésticas também contaram. Combinar exercícios aeróbicos, de força e de equilíbrio, com orientação profissional, costuma ser o caminho mais indicado.

### Quantas horas por semana de atividade física são recomendadas?

A Organização Mundial da Saúde recomenda de 150 a 300 minutos de atividade moderada por semana para adultos. No estudo sobre Parkinson, os melhores resultados apareceram em quem somava mais de 8 horas semanais, incluindo atividades do dia a dia. O ideal é ajustar a meta com o médico.

### Exercício físico pode impedir a progressão do Parkinson?

Ainda não há prova de que o exercício impeça ou freie a progressão do Parkinson. Os estudos observacionais mostram associação entre mais atividade e evolução mais lenta, e ensaios clínicos estão em andamento para confirmar. O exercício complementa, mas não substitui, o tratamento indicado pelo neurologista.

## Fontes

- [Ryu, Duque, Marsili e colaboradores: Physical Activity and Motor and Cognitive Progression in Parkinson Disease: A Longitudinal Cohort Study (Neurology, 2026)](https://doi.org/10.1212/WNL.0000000000218682)
- [Academia Americana de Neurologia (via Newswise): Greater physical activity associated with slower progression in Parkinson's](https://www.newswise.com/articles/greater-physical-activity-associated-with-slower-progression-in-parkinson-s)
- [Universidade de Cincinnati: More physical activity may mean slower Parkinson's disease progression](https://www.uc.edu/news/articles/2026/10/n21438045.html)
- [Organização Mundial da Saúde: Parkinson disease (fact sheet)](https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/parkinson-disease)
