# Amendoim todo dia pode ajudar o cérebro de idosos a responder à insulina em áreas da memória

> Um ensaio clínico com 31 idosos saudáveis mostrou que comer 60 gramas de amendoim torrado com pele, sem sal, por 16 semanas mudou a resposta à insulina em uma região do cérebro ligada à memória. O efeito é considerado potencialmente benéfico, mas o estudo é pequeno e não prova proteção contra demência.

- Categoria: Alimentação
- Publicado: 2026-11-03
- Atualizado: 2026-11-03
- Autor: Fabio Alves de Araújo
- URL: https://neurociencia.site/artigo/amendoim-cerebro-insulina-idosos

## Em resumo

- Ensaio clínico randomizado e cruzado com 31 idosos saudáveis, com idade média de 67 anos, feito na Universidade de Maastricht, na Holanda.
- Comer 60 g de amendoim torrado com pele, sem sal, por dia durante 16 semanas mudou a resposta à insulina em uma região que inclui o hipocampo.
- No mesmo ensaio, o fluxo de sangue no cérebro foi 3,6% maior e a memória verbal melhorou 5,8% na fase com amendoim.
- Gordura no fígado, glicose, colesterol e inflamação não mudaram, e o estudo não mostra prevenção de demência.

Um punhado de amendoim por dia pode fazer diferença no cérebro de quem já passou dos 60 anos. Em um ensaio clínico com **31 idosos saudáveis**, comer **60 gramas de amendoim torrado com pele, sem sal**, todos os dias durante **16 semanas** mudou a forma como áreas ligadas à memória respondem à insulina. Na mesma pesquisa, a equipe já tinha visto a **memória verbal melhorar 5,8%**.

O novo resultado foi publicado on-line em 30 de setembro de 2026 na revista científica *Food & Function*, da Royal Society of Chemistry. O trabalho é da Universidade de Maastricht, na Holanda. A primeira autora é a pesquisadora Lucia Kerkhof, e o autor sênior é o professor Peter Joris, do Departamento de Nutrição e Ciências do Movimento.

A insulina não serve apenas para controlar o açúcar no sangue. No cérebro, ela também ajuda a regular a atividade dos neurônios, principalmente em regiões da memória. Com a idade, o cérebro pode responder pior a esse hormônio. Essa alteração tem sido associada ao diabetes tipo 2, ao declínio cognitivo e à doença de Alzheimer. Por isso, os cientistas querem saber se a alimentação consegue influenciar essa resposta.

## Como foi feito o estudo?

Foi um **ensaio clínico randomizado** do tipo cruzado. Isso quer dizer que cada participante passou pelas duas situações: um período de 16 semanas comendo amendoim e outro período de 16 semanas sem amendoim e sem outras castanhas. A ordem foi sorteada. Entre os dois períodos houve uma pausa de 8 semanas. Assim, cada pessoa serviu de comparação para ela mesma.

O estudo foi simples-cego: os pesquisadores que mediram os resultados e fizeram as análises não sabiam em qual fase cada participante estava. Os voluntários, claro, sabiam se estavam comendo amendoim ou não.

Ao todo, 36 pessoas foram sorteadas e **31 completaram** o estudo, sendo 15 mulheres e 16 homens. A idade média era de 67 anos. Todos eram saudáveis, sem diabetes e sem doença cardiovascular, e não fumavam.

Cada sachê diário de 60 gramas tinha cerca de 340 calorias, 15,5 g de proteína, 5,1 g de fibra e 29,5 g de gordura, principalmente gorduras insaturadas. A pele do amendoim foi mantida porque concentra compostos fenólicos. A adesão foi muito alta: a mediana foi de 100% dos sachês consumidos.

Para medir a resposta do cérebro à insulina, os pesquisadores usaram ressonância magnética. Eles mediram o fluxo de sangue no cérebro antes e 30 minutos depois de aplicar insulina em spray nasal. Também avaliaram a gordura no fígado e exames de sangue de glicose, colesterol e inflamação. O estudo foi financiado pela The Peanut Institute Foundation. Segundo os autores, a fundação não participou do desenho, da análise nem da redação do trabalho.

## O que o estudo encontrou

A análise de todo o cérebro encontrou **uma região no hemisfério direito** que reagiu de forma diferente à insulina depois da fase com amendoim. Essa região inclui partes do hipocampo, do giro para-hipocampal e do giro lingual, áreas ligadas à memória. Nela, o aumento do fluxo de sangue provocado pela insulina foi menor, uma diferença média de 5,4 mL por 100 g de tecido por minuto. Os autores interpretam esse padrão como um efeito potencialmente benéfico.

O que foi medidoFase com amendoim, em comparação à fase sem amendoim

Resposta à insulina em área da memória (hipocampo e regiões vizinhas)Mudou, com resposta de fluxo 5,4 mL/100 g/min menor, interpretada como potencialmente benéfica
Resposta à insulina no cérebro como um todoSem diferença
Gordura no fígadoSem diferença (5,3% contra 5,0%)
Glicose, insulina e resistência à insulina no sangueSem diferença
Colesterol total, LDL e HDLSem diferença
TriglicerídeosQueda passageira na 8ª semana, sem diferença na 16ª
Marcador de inflamação (PCR ultrassensível)Sem diferença

Esse é o segundo resultado do mesmo ensaio. No primeiro, publicado em 2025 na revista *Clinical Nutrition*, a equipe mostrou que o fluxo total de sangue no cérebro foi **3,6% maior** na fase com amendoim. A memória verbal também melhorou: depois de 20 minutos, os participantes reconheceram em média 1,4 palavra a mais, uma melhora de 5,8%.

Um detalhe importante: as pessoas cuja resposta à insulina mudou mais não foram, necessariamente, as que mais melhoraram na memória. Os pesquisadores não encontraram correlação entre as duas coisas. Eles lembram que o estudo não foi planejado para esse tipo de análise.

## O que acontece no cérebro

O hipocampo é uma das regiões com mais receptores de insulina no cérebro. Ali, a insulina tende a acalmar os neurônios, reforçando sinais inibitórios. Como o fluxo de sangue acompanha a atividade das células, um aumento menor de fluxo depois da insulina pode indicar uma atividade mais bem regulada. Outro grupo já tinha visto esse mesmo padrão em adultos jovens e saudáveis.

O giro lingual, outra área do conjunto encontrado, participa da memória para palavras. Em um estudo anterior da mesma equipe, com uma mistura de nozes, castanhas de caju, pistaches e avelãs, essa região também mudou a resposta à insulina, e a memória verbal também melhorou.

Ainda não se sabe qual componente do amendoim explicaria o efeito. O amendoim é rico em **L-arginina**, um aminoácido que o corpo usa para produzir óxido nítrico. Essa molécula ajuda a dilatar os vasos e participa da plasticidade do hipocampo. O amendoim também tem gorduras insaturadas, fibras, polifenóis da pele, vitamina E e magnésio. Os autores ressaltam que esse fluxo medido na ressonância é um sinal indireto e não mostra diretamente o que os neurônios estão fazendo.

## Os limites do estudo

- **Amostra pequena:** 31 pessoas é suficiente para medir a resposta do cérebro, mas pouco para conclusões amplas.
- **Público específico:** idosos holandeses saudáveis, sem diabetes. O resultado pode ser diferente em outros grupos.
- **Sem controle com as mesmas calorias:** na fase sem amendoim, os voluntários não comeram outro lanche equivalente. Parte do efeito pode vir das calorias extras ou da troca de outros alimentos.
- **Medida indireta:** a mudança apareceu em uma única região, e o significado prático dela ainda precisa ser confirmado.
- **Sem prova de prevenção:** o estudo não mostra que o amendoim previne demência ou Alzheimer.
- **Financiamento do setor:** a pesquisa foi paga por uma fundação ligada ao amendoim, embora os autores relatem independência.

## Como levar isso para o dia a dia

O amendoim é barato, fácil de achar no Brasil e pode entrar em uma alimentação saudável. A Organização Mundial da Saúde inclui as oleaginosas entre os alimentos recomendados e orienta reduzir o sal. Por isso, o tipo usado no estudo faz diferença: torrado, com pele e sem sal. Amendoim salgado, doce de amendoim ou pasta com açúcar não são a mesma coisa.

Também vale prestar atenção nas calorias. A porção do estudo tinha cerca de 340 calorias. Na prática, o mais sensato é usar o amendoim no lugar de outro lanche, como biscoitos ou salgadinhos, e não somar ao que já se come. Quem tem alergia a amendoim deve evitar o alimento.

Nenhum alimento sozinho protege o cérebro. O que a ciência mostra com mais força é o conjunto: uma dieta variada, com vegetais, grãos integrais e gorduras boas, junto com atividade física e sono de qualidade. Já mostramos aqui como a [dieta MIND está ligada a um envelhecimento cerebral mais lento](https://neurociencia.site/blog/artigo/dieta-mind-envelhecimento-cerebral) e como a [lecitina na dieta foi associada a menos comprometimento cognitivo em idosos](https://neurociencia.site/blog/artigo/lecitina-memoria-idosos).

*Este artigo tem caráter informativo e não substitui a orientação de um médico ou nutricionista. Antes de mudar a alimentação, principalmente se você tem diabetes, doença renal, alergia ou outra condição de saúde, converse com um profissional.*

## Neurociência na prática

- Prefira amendoim torrado, com pele e sem sal, e evite versões salgadas, açucaradas ou fritas.
- Use o amendoim no lugar de outro lanche, como biscoitos ou salgadinhos, para não somar calorias.
- Combine oleaginosas com uma dieta variada, atividade física e sono de qualidade, que juntos protegem mais o cérebro.
- Se você tem alergia, diabetes, doença renal ou outra condição, converse com um médico ou nutricionista antes de mudar a dieta.

## Perguntas frequentes

### Amendoim faz bem para o cérebro?

Um ensaio clínico com 31 idosos saudáveis encontrou sinais positivos: melhor fluxo de sangue no cérebro, memória verbal 5,8% melhor e mudança na resposta à insulina em áreas da memória. O estudo é pequeno e ainda precisa ser confirmado em grupos maiores.

### Quantos gramas de amendoim posso comer por dia?

No estudo, os idosos comeram 60 gramas por dia, cerca de 340 calorias. Para a maioria das pessoas, uma porção menor já cabe bem na dieta, desde que substitua outro lanche. A quantidade ideal depende de cada pessoa e pode ser ajustada com um nutricionista.

### Amendoim ajuda a prevenir Alzheimer?

Não há prova disso. O estudo mediu a resposta do cérebro à insulina e a memória em idosos saudáveis, e não acompanhou casos de demência. Os pesquisadores dizem que são necessários estudos maiores e mais longos.

### Qual é o melhor tipo de amendoim para a saúde?

O estudo usou amendoim torrado, com pele e sem sal. A pele concentra compostos fenólicos e fibras. Versões salgadas, açucaradas ou fritas trazem sal, açúcar e calorias extras.

## Fontes

- [Kerkhof, Mensink, Plat, Nijssen e Joris: Daily consumption of unsalted, skin-roasted peanuts beneficially affects regional brain insulin responsiveness in older adults: results of a longer-term randomized controlled trial (Food & Function, 2026)](https://doi.org/10.1039/D6FO03208G)
- [Kerkhof, Mensink, Plat, Nijssen e Joris: Longer-term skin-roasted peanut consumption improves brain vascular function and memory: A randomized, single-blind, controlled crossover trial in healthy older adults (Clinical Nutrition, 2025)](https://doi.org/10.1016/j.clnu.2025.10.020)
- [ScienceDaily: Scientists discover a surprising brain benefit of eating peanuts every day](https://www.sciencedaily.com/releases/2026/10/261030003001.htm)
- [Organização Mundial da Saúde: Healthy diet, fact sheet](https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/healthy-diet)
